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Na escola de Jesus Cristo (17) - 25/09/2008 - 16:23

Pe. Lucas de Paula Almeida, CM


Evangelhos: a leitura que as comunidades fazem da Boa Nova de Jesus


ORAÇÃO INICIAL
TODOS: - Pai Nosso
DIRIGENTE: - Vinde, Espírito Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito, e tudo será criado.
TODOS: - E renovareis  a face da terra.
DIRIGENTE: - Deus, que instruístes os corações de vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo nosso Senhor.
TODOS:- Amém.
ORAÇÃO AO ESPIRITO SANTO
Paulo VI
 Ó Espírito Santo, dai-me um coração grande, aberto à vossa silenciosa e forte palavra inspiradora, fechado a todas as ambições mesquinhas, alheio a qualquer desprezível competição humana, compenetrado do sentido da santa Igreja! Um coração grande, desejoso de se tornar semelhante ao coração do Senhor Jesus! Um coração grande e forte para amar todos, para  sentir todos, para sofrer por todos! Um coração grande e forte para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, toda ofensa! Um coração grande e forte, quando for necessário! Um coração cuja felicidade é palpitar com o coração de Cristo e cumprir humilde, fiel e virilmente, a vontade do Pai.  Amém.


PUXANDO A CONVERSA


O centro do Novo Testamento é o Evangelho. No dicionário encontramos diversas definições de Evangelho:
-Doutrina de Cristo;
-Cada um dos quatro livro do Novo Testamento;
-Trecho  deste livro que se lêem nas celebrações litúrgicas, cerimônias;
-Moral, conjunto de normas que regulam a vida dos cristãos;
-Convicção, coisa que se tem por certa verdade;
-História de Jesus.
Por que tantas idéias diferentes? Por que uma divergência tão grande? 
A causa está nos Evangelhos ou está no nosso modo de ver? A respeito do Evangelho não podemos ter confusão na cabeça. São Pedro nos disse que devemos saber dar conta de nossa fé. Devemos saber dizer em que acreditamos  e o que está dentro de nós. Por isso é muito útil investigar brevemente como é que nasceram os Evangelhos, qual foi a sua origem. Este estudo poderá nos ajudar a ter uma visão mais exata dos mesmos. Nós passamos por cima de muitas coisas que estão escritas aí, precisamente porque não temos os óculos certos. Sabendo melhor como é que surgiram os Evangelhos, seremos capazes de descobrir e de corrigir essa falha.


1. ORIGEM DOS EVANGELHOS


Os evangelhos foram escritos bem depois das Cartas de São Paulo. Para a gente conhecer bem um escrito, deve conhecer um pouco o ambiente no qual surgiu. O ambiente no qual surgiram os Quatro evangelhos é aquele de que falam as cartas de São Paulo, isto é, aquele das comunidades fervorosas de cristãos que viviam na Palestina, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália. Mais ou menos como a música brasileira: para a gente compreender a fundo determinada música, convém conhecer a época e a região onde foi feita. É sobre isso que queremos falar agora. Olhem o desenho:
            R
            E
            S
            S   tradições                                Perseguição
Jesus U   orais       50   Paulo           60   Martírio         70  4ª MISSÃO  80 Ásia      90          100
!      !                          !                            !                           !                !                 !             !               !
            R Missões         3ª Missão           Filemon (61)         EV. Mateus      2Tess       Heb
            R 1ª e 2ª            1 Tess                Ev. Marcos                                     Ef             Judas
            E                       1 e 2 Cor 56/57                                                         Col           Cartas
            I                        Fil (57/58)                                                                 Ev. Lucas Jo
           Ç                        Rom (57/58)                                                              Atos        Didaque
           à                       Gal (57/58)                                                                Tiago      Apoc
                                      Coleção dos ditos                                                      1ª Pedro
                                      e feitos de Jesus
O gráfico mostra quando os textos foram escritos. Nota-se uma certa evolução nas coisas: as cartas de Paulo focalizam sobretudo O mistério pascal, isto é, os acontecimentos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Pouco dizem, porém, das coisas que aconteceram com Jesus antes da sua paixão, morte e ressurreição. Falam de Jesus como de alguém que está vivo. Esta presença viva e atuante de Cristo, no meio da comunidade é, para eles, o "Evangelho", a grande "Boa Nova". O fundamento dessa presença é a paixão, morte e ressurreição.
O Evangelho de São Marcos já se interessa pelas coisas que aconteceram com Jesus antes da Paixão, pois ele começa sua narração com o batismo de Jesus, isto é, no começo da vida apostólica.
Os Evangelhos de Mateus e Lucas, cuja redação é posterior à de Marcos, já estendem o seu interesse e começam na infância e no nascimento de Jesus.
O Evangelho de São João, o último, remonta ao início do mundo e começa com a frase: "No princípio era o Verbo..." (Jo 1,1). Este Verbo, esta Palavra de Deus é Jesus Cristo, que se fez carne... (Cf. Jo 1, 14).
Portanto, na medida em que se avança para o futuro, o interesse por Jesus Cristo recua cada vez mais no passado. De tudo isso, tira-se a seguinte conclusão: a raiz do interesse dos evangelistas não é a doutrina, nem a história, a verdade ou a moral, nem o escrito ou a cerimônia, mas a pessoa de Jesus Ressuscitado, vivo no meio deles. Para os cristãos daquele tempo, Cristo não era alguém que morreu, que ressuscitou e que, depois, foi-se embora para o céu. Eles, os primeiros cristãos, falando de Cristo não olhavam o passado. Para eles, Cristo estava aí com eles na vida. Somente em seguida veio o interesse sobre a vida de Jesus e o seu passado.
É como quando alguém trava amizade com uma outra pessoa. O que interessa é a pessoa conhecer o outro. Na medida, porém, em que cresce a amizade, surge o desejo de conhecer melhor o amigo. E isso se faz, de maneira muito natural, entrando em contato com a família, com os pais, procurando conhecer a vida que viveu, os estudos que fez, a infância que teve. Tudo isso só tem uma finalidade: conhecer melhor o amigo, as suas exigências e aspirações, e aprofundar a amizade com ele no hoje.
Assim, as cartas de São Paulo e os Atos dos Apóstolos, que nos descrevem a atitude tomada pelos primeiros cristãos, logo no começo, diante do Cristo, mostra como eles paravam em Cristo e na sua presença viva nomeio deles. Para eles, bastava essa presença viva e amiga que tomou conta do coração de todos. Isso era a Boa Nova, o Evangelho.
Na medida, porém, em que se aprofundava essa vivência da fé em Cristo, foram querendo saber mais a respeito dele e começar a investigar o seu passado e as coisas que disse, fez e ensinou. As dificuldades da vida cristã os forçavam a isso, pois o encontro com o Cristo vivo deu novo rumo à vida, transformou tudo, provocou uma "conversão". Tinham que saber como se comportar nessa nova vida. Queriam saber melhor quem era Jesus, o Cristo. O Evangelho, a "Boa Notícia" é, em primeiro lugar, alguém, Jesus Cristo: "Para mim, viver é Cristo" {Fl l ,21). Esta é a raiz, o resto é galho e flor. Sem a raiz, a árvore seca e apodrece.
A doutrina contida no evangelho só tem sentido enquanto estiver relacionada com a pessoa de Cristo, de que nasce. Do contrário, torna-se um conjunto abstrato de verdades a serem decoradas, sem que a gente saiba para que servem.
Lembro-me que um de meus irmãos, que até certa idade costumava andar sempre muito desleixado. Não teve jeito de fazê-lo mudar até que uma moça entrou na sua vida.
De repente, sem que ninguém tivesse falado nada, apareceu todo penteado e asseado. A moça tinha falado que não gostava dele daquele jeito. Então ele mudou.
Daqui podemos ver como uma pessoa que entra na vida da outra pode provocar nela uma mudança profunda. É o que deveria fazer a nossa fé. Para: que isso aconteça é muito importante que a pessoa de Jesus seja apresentada da maneira certa, e não como foi feito com aquele menino que estava olhando a Paixão de Jesus transmitida pela televisão.
Quando Pilatos emitiu a sentença de condenação para Jesus,  o menino, que estava seguindo com toda a atenção, chegou a pular e a bater palmas de alegria. Escandalizada, a mãe chamou-lhe a atenção, mas o menino respondeu: "Foi muito bom assim, mãe! Ele vive chateando a minha vida!" É que a mãe, quando o menino fazia uma travessura, dizia-lhe que Jesus iria castigá-lo.
Da mesma forma que a doutrina, também a moral cristã só tem sentido, e só é Cristã enquanto estiver relacionada com o  Amigo vivo e presente em nossa vida. Do contrário, como aconteceu com a criança acima, pode tornar-se um conjunto de prescrições odiosas. E por estar comprometido com Cristo que o cristão faz as coisas que deve fazer.
A cerimônia também só tem sentido quando existe amizade com a pessoa. Não se celebra o aniversário de quem não se conhece. Mas quando se trata de um amigo, ninguém falta.
Finalmente, a verdade só tem sentido porque faz saber algo a respeito do amigo. É uma expressão de convicção que me liga a ele.


A BOA NOVA E A CRUZ


Para compreender a Boa Noticia temos que partir da Cruz. Quando a cruz foi levantada, morreu nos apóstolos a esperança. A cruz de Jesus foi uma cruz lançada na vida de seus amigos, impedindo a caminhada do povo. Estavam juntos há três anos, e, apesar de não terem entendido (talvez) muita coisa do que Jesus dizia, já não podiam mais nem pensar sua vida sem ele.
Aqueles dois rapazes, discípulos de Jesus, Cléofas e o seu colega, que andavam pela estrada, em direção a Emaús (cf. Lc 24,13ss), eram a expressão daquilo que se passou na vida dos apóstolos, depois que Jesus morreu. Eram, ao mesmo tempo, expressão daquilo que se passava na vida dos cristãos que andavam pela estrada da vida, no tempo em que Lucas escrevia esse episódio no seu evangelho, por volta do ano 75: gente perseguida, não mais sabendo colocar na sua vida a fé na ressurreição, pois a morte matava neles a esperança, e já não encontravam o Cristo vivo no qual acreditavam.
Uma grande frustração lhes enchia o coração. São ainda expressão daquilo que se passa na vida de muitos, hoje em dia.
"Nós esperávamos que ele fosse o Libertador, mas hoje já é o terceiro dia..." (Lc 24,21). Essa foi a queixa amarga dos dois. Com a morte de Jesus, morreu algo na vida dos apóstolos, algo de importância fundamental. A vida, para eles, agora, não tinha mais sentido.
Como já vimos, crescera neles uma tal união de vida com Jesus, que já não podiam conceber a vida sem ele (Cf. Jo 6,68-69). Estavam dispostos a morrer com ele(Cf.Jo 11,6), a sofrer por ele (Cf. Mc 10,38-39), a morrer por ele (Cf. Mc 14,31), pois, sem ele, tudo perderia o seu sentido. Por amor a ele, tinham abandonado tudo o que possuíam (Cf. Mc 10,28). Jesus se tornara o eixo da roda da vida dos apóstolos. A morte de Jesus foi a quebra do eixo.
Ela se impôs, tragicamente, como uma barreira intransponível, entre a situação presente e o ideal futuro que tinham alimentado. Era melhor sair de Jerusalém (Cf. Lc 24, 13) e voltar, cada qual, para o seu canto e o seu trabalho (Cf. Jo 21, 3). Nada feito. Foi uma ilusão, uma utopia, uma alienação, a de terem acreditado nesse Jesus e na mensagem que pregou Agora, tudo passou, "já era o terceiro dia..." A sua morte os fez voltar ao chão duro da realidade.
Depois que esse futuro se fechou com a morte de Jesus, a realidade parecia mais escura do que antes. Um outro futuro já não os atraía. A morte destruiu todos os anseios e matou, radicalmente, qualquer tentativa de futuro. E essa morte, ela não era só a cruz.
Era toda uma situação que encontrava na cruz e que conduzia à cruz a quem quisesse seguir pelo caminho de Cristo. As forças da morte estavam mais vivas do que nunca:
-O imperialismo romano, que com uma única palavra ratificou a condenação à morte;
-Os soldados, que executaram a sentença do governador Pilatos, sem que houvesse possibilidade de impedí-los;
-Os escribas, que com ela se alegraram;
-Os fariseus e o farisaísmo, que a provocaram, manipulando a opinião pública;
-A mentalidade flutuante do povo, e tantos outros fatores...
Tudo isso contribuiu e se uniu, como numa força única, contra Jesus (Cf. At 4,24-28) e conseguiu vencê-lo. Matando Jesus, mataram o futuro no coração dos apóstolos. A morte estava personificada nessa situação, como uma força horrenda, ameaçando qualquer tentativa que os apóstolos fizessem para continuar a fazer o que Jesus fazia.
Acabou-se tudo. As sombras da morte instalaram-se na vida, impedindo a esperança e ameaçando tudo e todos de opressão.
Os apóstolos ficaram com medo, diante dessa força, e fugiram (Cf. Mc 14,50-52). Trancaram até as portas da casa (Cf. Jo 20,19). Com esses homens apavorados; ninguém mais podia contar para nada. Foram derrotados pela realidade que os esmagava.
A morte de Jesus matou algo nos apóstolos, como a morte do marido mata algo na esposa que fica, a morte do amigo mata algo no amigo. Os apóstolos estavam mais mortos do que o próprio Jesus. Estancou-se a fonte, a água acabou. Destruíram a turbina, a luz apagou.
O império romano continuava a perseguir os que em Cristo acreditavam. Não permitia que os cristãos abrissem uma nova estrada para o futuro, dando um novo sentido à vida humana. Os cristãos estavam morrendo como criminosos comuns nas prisões e na arena. Onde está o Cristo? " Esperávamos que ele fosse o Libertador, mas  agora... (Lc 24).
Assim, também hoje, no fim do século XX, muita gente anda pela estrada da vida: gente sem muita esperança, derrotada pela realidade que esmaga e que mata a esperança, destruindo o futuro. Forças diante das quais o indivíduo se sente impotente, que ele não consegue dominar e que o superam de longe. Forças que mantém a vida presa, sem condição de expandir-se. Forças que parecem querer levar a humanidade inteira para uma total escravização. Elas podem ser: o Estado totalitário; patrões injustos; o poder econômico; as várias formas de opressão, hoje.
Qual o indivíduo que pode algo contra tudo isso? O que fazer contra o poder que concede privilégios a uns poucos e marginaliza a maioria?
Nós somos fracos. Não temos meios para enfrentar tudo isso. A morte, essa morte personificada na situação, parece mais forte do que nós. A cruz é grande demais. Cada um se arranja como pode. Muitos desacreditam de tudo e de todos... Outros se acomodam e tornam-se escravos satisfeitos e tranqüilos, fechados numa gaiola...


A FÉ NA RESSURREIÇÃO


Mais uma vez a Bíblia pode iluminar a nossa vida. Na Sexta-feira Santa em que Jesus morreu, a cruz e a morte pareceram ter marcado o fim de tudo. Mas Jesus, no Domingo de Páscoa, superou a barreira da morte. Aqueles onze homens e aqui está a absoluta novidade da ressurreição - tiveram a experiência certa e inconfundível de que Jesus estava vivo(Lc 24.25,34).
Era ele mesmo, o mesmo Jesus com o qual tinham convivido durante três anos. As aparições o confirmavam (Mc 16,9- 14; 1Cor 15,1-4). Era ele mesmo! Jesus superou uma barreira que homem nenhum tinha superado. Cristo vitorioso sobre a morte agora com eles, amigo deles. Isso estava evidente, embora tivessem tido alguma dificuldade em acreditar logo nesse acontecimento novo e inesperado (Lc 24,10-11; 37-43; Jo 20,25).
Agora, não havia mais motivo para sentirem-se derrotados diante da realidade. Eles também ressuscitaram. Uma nova esperança nasceu. Uma nova força entrou na vida deles, a força de Deus, uma força tão grande que conseguiu, tirar a vida da morte (Ef 1,19-20). Força ligada à pessoa de Jesus Cristo. Força mais forte do que tudo aquilo que antes matava neles a esperança. As forças da morte foram derrotadas. A guerra já estava vencida, embora a batalha continuasse  ainda. Era questão de tempo apenas. Agora tinha sentido resistir, não conformar-se à situação e agir para transformá-la.
Mesmo assim, os cristãos, andando pela estrada da vida, perseguidos pelo Império Romano, levantavam a pergunta: "Mas onde encontrar esse Cristo vivo, onde descobrir essa força que ele comunica?"
Lucas responde, contando o episódio dos dois discípulos que caminhavam pela estrada, em direção a Emaús. Estes descobriram o Cristo e o reconheceram "ao partir o pão" (Lc 24,35). É na hora em que os cristãos se reúnem, fazendo comunidade em tomo do pão que é partido e distribuído, na celebração onde celebram e colocam presente a morte e a ressurreição do Senhor (1 Cor 11,26), que podemos descobrir e encontrar o Cristo. Essa convivência em tomo da mesa é que abre os olhos (Lc 24,31) e faz perceber a voz de Cristo, seja na Palavra da Bíblia (Lc 24,32), seja no companheiro sem nome que vai com a gente, na estrada da vida (Lc 24,15-16.35).
Foi por isso que o primeiro efeito do anúncio da Boa Notícia fez reunir os cristãos em comunidade. Depois disso, ninguém mais, nem o Império Romano, conseguiu acabar com eles.
Hoje também a cruz é muito grande, e é tão pesada que está matando a esperança do povo. Mas não podemos desesperar. A fé c a força da comunidade devem ser maiores do que a força da cruz. Nós não temos armas, a não ser uma pequena "gilete", mas com ela cavaremos na madeira até derrubar a cruz e chegar à ressurreição.
Cristo venceu a morte. Este é o anúncio que não pode ser calado, porque é o anúncio que traz novamente a esperança e a vida.
A nossa fé é baseada na ressurreição. Vamos tentar entender um pouquinho o processo da ressurreição, embora seja um mistério que só pode ser assimilado através da fé. A nossa vida tem três fases, assim:
1ª) nove meses no ventre materno;
2ª) vida terrena;
3ª) vida depois desta.
-A primeira fase de nossa vida dura nove meses, durante os quais a criança não tem a mínima idéia do que vai acontecer depois. O nascimento, visto do lado da criança, é uma espécie de morte. Muita coisa de que se precisa no seio da mãe, torna-se inútil para a vida nova que se recebe, e é jogada fora: cordão umbilical, placenta, etc.
-A segunda fase dura vários anos, e é uma preparação para a terceira, que para nós ainda não começou. Esta segunda fase termina com a morte, que se torna nascimento para a fase seguinte. Muita coisa então de que precisamos agora será jogado fora, porque é inútil para a nova vida que vamos viver. O corpo feito de carne e ossos, será colocado no cemitério, com muito respeito, para não ser nunca mais usado.
-A terceira fase, junto de Deus, exige um outro corpo que não conhecemos. Será um corpo "espiritual" (ICor 15,44). Comparado com o nosso corpo atual, aquele corpo novo é como a fruta comparada com a sua semente. Em Jesus ressuscitado temos um exemplo de como será esse corpo.


OS EFEITOS DO ANÚNCIO


Já vimos um pouco o que é Evangelho, esta Boa Nova que Cristo anunciou e que entrou na história da humanidade. Vimos que com Jesus ressuscitaram também os apóstolos, isto é, nasceu outra vez a esperança neles. Percebemos que a força da vida foi maior do que a força da morte; a bênção maior que a maldição-
Esta é a grande Boa Notícia que a gente tem para levar. Está aí a Notícia que os apóstolos levaram pelo mundo afora e cujos efeitos não se fizeram esperar. De fato, o Evangelho contém algo em si que, lançado no terreno da vida, produz seus frutos.
Quando o Evangelho entra na vida da gente, ele sempre acaba mexendo. Nunca as coisas ficam como antes. Também no meio dos cristãos a difusão da Boa Notícia produziu seus efeitos:


FORMAÇÃO DAS COMUNIDADES


O livro dos Atos dos Apóstolos descreve muito bem como eram e como funcionavam as primeiras comunidades. E bom ler e meditar sobre isso, pois os primeiros cristãos têm muita coisa para nos ensinar.
As comunidades se formavam logo depois que um apóstolo havia transmitido a mensagem, lançado a semente. Depois o apóstolo continuava o seu caminho e as comunidades iam se organizando, trocando visitas entre si e tratando dos problemas mais importantes.
Algumas das coisas que aquelas comunidades não deixavam de fazer era rezar juntos e compartilhar os bens. Elas sentiam a necessidade de testemunhar sua fé com a própria vida.
Cada vez que a Igreja quer se renovar, compara sua maneira de viver com aquela dos primeiros cristãos. Nós também, em nossa comunidade, devemos fazer isso de vez em quando.


VÁRIOS PROBLEMAS


Outro efeito do anúncio da Boa Nova foram vários problemas, devido à grande novidade que o Evangelho continha. Esses problemas eram muitos e variados. Por exemplo:
-Como comunicar essa fé a quem ainda não a possuía;
-Como justificar sua fé diante das acusações dos judeus e dos pagãos;
-Como fazer com a lei antiga;
-Como resolver os problemas internos da comunidade;
-Como organizar o culto;
-Como fazer em caso de brigas;
-Como celebrar em comum a Boa Notícia;
-Como devia ser o relacionamento dentro da comunidade;
-Como devia ser a catequese;
-Como fazer com os pagãos convertidos...


AS PERSEGUIÇÕES


As primeiras vieram por parte dos judeus. Para os cristãos, o Antigo Testamento tinha sido encerrado com a morte de Jesus quando começou a Nova Aliança. Os judeus não podiam nem pensar numa coisa dessas, e começaram as perseguições mesmo dentro de Jerusalém contra os judeus convertidos.
O primeiro a pagar com a vida foi  Estevão (Cf. At 6,8-,7, 60). Os Atos dos Apóstolos relatam muito claramente como tudo se passou, como começou a briga, e como Estevão preferiu  a morte apedrejado. A morte dele foi a pedra que "quebrou o vidro"; marcou o início de perseguições grandes e pequenas que continuaram por muitos anos contra a Igreja. De fato, depois disso as perseguições foram cada vez mais numerosas e violentas. Um daqueles que tomavam a frente nisso era Paulo.
Depois dos judeus, os pagãos começaram também a perseguir os cristãos. As perseguições então vieram também de fora, por parte dos vários governos e do imperador romano. Muitos cristãos tiveram que escolher entre a morte e a vida, e os mártires foram numerosos. Para muitos cristãos, o batismo foi um batismo de sangue.
As perseguições contra a Igreja primitiva terminaram lá pelo ano 313, mas de fato continuam ainda hoje. Jesus tinha avisado, e aconteceu como ele disse. Mas ele também disse que quem perder a vida por sua causa, a encontrará. Esta deve ser a fé e a certeza que nós devemos ter, hoje.
A Memória dos Fatos Acontecidos com Jesus
Assim como o tempo ia passando, mais pessoas que não tinham conhecido Jesus queriam ser cristãs, e então faziam muitas perguntas a respeito dele. Queriam saber quem era, o que tinha feito, porque foi morto...
Quem sabia tudo eram os apóstolos. Os  anos já tinham passado e eles haviam esquecido muita  coisa mas, solicitados, foram lembrando aos poucos...  Começaram a pensar sobre o que deviam responder; começaram a se esforçar para lembrar o que Jesus tinha feito e dito; por exemplo: uma vez, durante uma briga com os judeus a respeito do Sábado, lembraram do dia em que Jesus, andando com eles, tinha colhido umas espigas pra matar a fome - era dia de sábado -(Cf. Mt 2,23). Desta forma, aos poucos, foram lembrando os fatos e as palavras que Jesus tinha pronunciado nesta ou naquela ocasião.
Mais tarde, quando as brigas se tornaram mais fortes e as perguntas mais insistentes, começou o confronto entre a vida  de Jesus e as Sagradas  Escrituras.
Já Estevão, durante o processo, tinha explicado para os judeus como as Escrituras tinham encontrado sua plena realização na pessoa de Jesus, e que portanto, o Antigo Testamento pertencia também aos cristãos. Isso porém, revoltou ainda mais os judeus. Para eles, mexer com a Escritura era um pecado gravíssimo e, ainda por cima, ela vinha agora colocada nas mãos dos pagãos convertidos. Isso era algo que os judeus não podiam aceitar.
Nem todos porém, iam à procura de brigas, haviam pessoas sinceras, que queriam conhecer melhor o Cristo porque desejavam seguí- lo. Estes também começaram a querer saber o que Jesus tinha feito, e os apóstolos, quando se reuniam num grupo de reflexão, iam lembrando e contando o que Jesus tinha feito na vista deles, as curas dos doentes, os milagres... Os participantes ouviam com a máxima atenção e depois relatavam para os outros dizendo: "Os apóstolos nos contaram que..."
Cada um daqueles que tinham conhecido Jesus, iam lembrando algo do passado. Foi sobretudo Lucas o que lembrou mais coisas. A parábola do filho pródigo é dele (Cf. Lc 15,11). Aquele filho mais velho representa o povo judeu, e o menor representa os pagãos. O Pai queria os dois, mas o mais velho foi contra o mais novo. Também a parábola do bom samaritano foi lembrada por Lucas (Cf. Lc 10,29) no mesmo sentido.
Aos poucos, dentro das comunidades, começaram a circular pequenas narrações sobre a vida de Jesus, lembrando trechos de seus diálogos, pedaços de discursos, discussões com os fariseus ou com os sacerdotes, catequese do povo, milagres. ..Foram querendo saber como Jesus se comportou nas várias ocasiões, como enfrentou a perseguição e a morte, como rezava... Depois foram querendo saber mais e mais, até que Lucas e Mateus pesquisaram sobre o nascimento de Jesus e sobre sua família.


AS COLEÇÕES DAS NARRAÇÕES
 
As narrações apareciam em tudo quanto era canto. Houve quem começou a colecionar os milagres de Jesus, outros suas palavras, outros seus ditados e outros os fatos.
As coleções surgiram para facilitar a memória sem correr o risco de deixar para trás coisas importantes. As comunidades tinham medo de perder algo precioso. Então, quando os apóstolos começaram a morrer, surgiu entre os cristãos a necessidade de fixar por escrito tudo aquilo que corria de boca em boca sobre a vida de Jesus.
E assim, finalmente, quatro pessoas (Mateus, Marcos, Lucas e João), em comunidades, lugares e épocas diferentes, decidiram colecionar, cada qual por sua conta, em uma obra só, tudo aquilo que podiam recolher e lembrar a respeito de Jesus (Cf. Lc 1,1-4).
 Neste trabalho todo, a nossa fé reconhece a ação do Espírito Santo, a ponto de ver na palavra dos evangelhos a Palavra de Deus.


ORAÇÃO PARA O FINAL DA AULA( ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO )


DIRIGENTE:- Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz
HOMENS: Onde houver ódio, fazei que eu leve o amor
MULHERES: Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
HOMENS: Onde houver discórdia, que eu leve a união
MULHERES: Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
HOMENS: Onde houver erro, que eu leve a verdade
MULHERES: Onde houver desespero, que eu leve a esperança
HOMENS: Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
MULHERES: Onde houver trevas que eu leve a luz
DIRIGENTE: - Senhor, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, mais compreender que ser compreendido, mais amar que ser amado:
TODOS: Porque é dando que recebemos, é perdoando que somo perdoados, e é morrendo que nascemos para a vida eterna.
DIRIGENTE: Para que Deus abençoe a nossa Igreja, e nos livre de todos os males da alma e do corpo, rezemos ao Senhor.
TODOS: - Pai-Nosso...


PERGUNTAS PARA CONTINUAR A REFLEXÃO


1. O centro do Novo Testamento é o Evangelho. O que quer dizer evangelho?
2.  Por que tantas idéias diferentes? Por que uma divergência tão grande? 
A causa está nos Evangelhos ou está no nosso modo de ver?
2. . O ambiente no qual surgiram os Quatro evangelhos é aquele de que falam as cartas de São Paulo, isto é, aquele das comunidades fervorosas de cristãos que viviam na Palestina, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália. Que acha você desta afirmação?
3. O que você achou de mais interessante na origem dos Evangelhos?
4. A nossa fé é baseada na ressurreição. Vamos tentar entender um pouquinho o processo da ressurreição, embora seja um mistério que só pode ser assimilado através da fé. Quais são na nossa vida  três fases que passamos?
5. Quais são os efeitos da ressurreição?
6. Fale alguma coisa da formação da comunidade?
7. Quais os problemas que as primeiras comunidades enfrentaram?
8. Que falar das perseguições que os apóstolos passaram?
9. Quem colecionou aquelas narrações ?
10. As coleções surgiram para facilitar a memória sem correr o risco de deixar para trás coisas importantes. As comunidades tinham medo de perder algo precioso? Por que?


1. Para aprofundar os Evangelhos dominicais do Tempo Comum de 2008

2. Quer viajar os santuários marianos europeus, conhecer os caminhos da Bíblia do antigo e novo testamento, o Leste Europeu, a Ásia, África, a Oceania.        

3. Confira as peregrinações deste ano.

4. Confira os roteiros destas viagens clicando nestes sites:   http://www.padrelucas.com.br/default.asp?pag=p000092
http://www.padrelucas.com.br/default.asp?pag=p000096
http://www.padrelucas.com.br/default.asp?pag=p000097
http://www.padrelucas.com.br/default.asp?pag=p000099


 

 
Última Alteração: 16:23:00
Fonte: Pe. Lucas de Paula Almeida, CM
Local:Belo Horizonte (MG)
Inserida por: Administrador
 
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